Restaurant Week Curitiba: valendo!

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Começou esta semana mais uma edição do Restaurant Week em Curitiba. Quem acompanha aqui o Como Demais sabe que eu não sou uma grande fã deste evento, apesar de nunca perder as esperanças. Não acho que seja verdadeiro com os clientes por alguns motivos básicos. Primeiro que o menu desenvolvido pelo restaurante dificilmente vai representar o que realmente é o cardápio do local. Os pratos são criados com base no custo e geralmente ficam bem abaixo das sugestões oficiais da casa, digamos assim. Outro ponto negativo é que o atendimento tende a cair nas semanas do festival. Não estou dizendo que 100% do atendimento sofre, mas os lugares ficam mais cheios, reservas são necessárias, e os garçons ficam marrentos.

Mas deixando esses pontos de lado, o legal do evento é que ele existe por uma boa causa e o Hospital Pequeno Príncipe recebe 1,00 de cada pessoa que prestigiar o festival. Eu já fiz minha parte e fui jantar no Vin Bistrô. Acho o local lindo e muito agradável. Já fui algumas outras vezes e sempre tenho vontade de voltar. Dessa vez, minha experiência foi um pouco diferente, com alguns pontos negativos.

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O menu do jantar tinha como opções de entrada: Polenta italiana cremosa com ragu de cogumelos, ou salada com carpaccio. Eu pedi a polenta que estava completamente sem sal, sem gosto, sem tempero, sem vida. Falecida, mortinha. Nem o ragu de cogumelos conseguiu salvar o prato. Uma pena. Já a salada, apesar de simples, estava ok, tirando o fato de que parte dos carpaccios estavam ainda congelados. Sabem aqueles pedacinhos micros de gelo? Então.

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Melhor tomar mais um gole do espumante brut que pedimos de entrada, pra dar aquela refrescada, e seguir para o prato principal. Eu, carnívora, fui de Mignon ao molho poivre com risoto de funghi. Ele seria simplesmente perfeito se a carne não estivesse ENTUPIDA de sal. Juro. Todo o sal que faltou da polenta foi compensado no mignon, e o resultado foi um mini infarto, ou algo do gênero. O risoto estava delicioso, a carne no ponto perfeito. Mas o sal….

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A outra opção de prato principal é o salmão grelhado ao molho de maracujá com legumes. E agora sim, sem economizar, estava divino. O salmão suculento, com uma crosta meio crocante, o molho de maracujá encaixou perfeitamente e os legumes fecharam o prato com chave de ouro. Palmas!

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Calma que ainda tem a sobremesa. E o que dizer desta sobremesa que mal conheço e já considero pacas? Eu amo doce de leite, e nada é mais perfeito que um Mil folhas de doce de leite feito no capricho, no amor, tudo muito leve e saborosíssimo. Destaque para o prato que veio com um garfo desenhado com chocolate em pó. So cute. Quem não quiser provar essa belezura, pode recorrer ao básico, porém sempre acertado, brownie de chocolate.

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A boa surpresa da noite foi o vinho escolhido (por mim mesma enquanto sommelier), um encantador, elegante, suave e gostoso Zinfandel da Califórnia, que leva um toque de Shyraz.  Painter Bridge, 2011. Recomendadíssimo. Preço elevado, mas prazer garantido. R$108. O balanço final do jantar foi positivo, apesar do deslize do sal, na minha opinião, ser inconcebível para um restaurante do nível do Vin.

Eles também tem um menu de almoço, com salada de folhas variadas com parmesão ao molho de mostarda, ou bruscheta pomodoro, de entrada; risoto de palmito com lascas de salmão, ou mignon ao molho gorgonzola com massa fresca, de prato principal; e a sobremesa pode ser o brownie de chocolate, ou o profiteroles com sorvete de baunilha e calda de chocolate. O almoço sai por R$37,90 + 1,00, e o jantar R$49,90+ 1,00. Para reservar uma mesa, 3225-3444.

Vin Bistrô – Rua Fernando Simas, 260. 

Jantar, piscina e terceira idade: uma combinação muito louca

A oitava edição do festival Restaurant Week acabou! Ahhhhh. Quem foi, foi, quem não foi, espera o próximo que deve acontecer no primeiro semestre de 2014, logo ali. Eu não fui em vários restaurantes, até mesmo porque tenho mais motivos contras do que pró evento, e também porque não sou rhyca ainda. Mas tenho mais uma bela história para vocês. Sábado fui jantar no Forneria Copacabana, um dos meus locais favoritos de Curitiba, e a noite não foi um grande sucesso.

A piscina da discórdia

A piscina da discórdia

O evento era um aniversário para muitas pessoas, mais ou menos umas 30. Nos acomodamos em uma das mesas lá embaixo, no deck externo, ao lado da piscina, que agora possui um chiquérrimo teto retrátil. Muito bem. Vale ressaltar que a média de idade dos convidados era de 50 anos para cima. Isso, eu era apenas um baby! Apesar de ser uma comemoração, todos fomos de menu do restaurant week.

Mas antes de começar a falar sobre os pratos e tudo mais, vamos explicar porquê piscina e terceira idade é uma combinação muito louca. De fato, há uma piscina no meio das mesas e não há nenhuma barra de proteção, nem placa avisando ‘sim eu sou uma piscina de verdade, rasa, mas sou, tenho água e você vai se molhar se chegar perto’. Pois um dos primeiros convidados, emocionado com o ambiente sofisticado foi, com os dois pés pra dentro da dita cuja. Bamboleou, mas não caiu. Bem menos trágico que a segunda vítima da noite, que apenas foi, em frente e avante sem medo de ser feliz e praticamente fez uma performance de nado sincronizado. Molhou-se inteira, molhou bolsa, documentos e inclusive o presente. Você deve estar rindo claro, sim, é algo engraçado. Mas te garanto que não é divertido passar o jantar inteiro com tudo molhado, tipo cachorro fugindo da chuva. A discussão que se levantou foi: o restaurante deve mudar e se adequar priorizando a segurança de seus convidados deixando de lado a decoração, a arquitetura e todo esse blábláblá?

O drama do camarão solitário

O drama do camarão solitário

Passada as apresentações do início, bastante marcantes, vamos ao que interessa: comida! De entrada, a maioria das pessoas da mesa foi de salada com camarão, obviamente, seduzidos pelo fruto do mar. Mas a decepção (que por mim já era esperada) aconteceu quando o mix de folhas veio acompanhado de UM, 01 camarão. Houveram sortudos com DOIS, 02 camarões. E que fique claro que o camarão da vida real é BEM menor que o camarão da foto bonita. Poxa, eu sei que camarão é caro, mas assim, ou coloca com gosto no prato ou nem oferece então. Inventa outra coisa. Mas um único camarãozinho é de fazer o cliente chorar. Talvez tivesse sido mais interessante pedir a outra entrada, carpaccio selado com crosta de ervas, que parecia bem apetitoso.

Nota 10 para o prato principal

Nota 10 para o prato principal

Tudo bem, passado o susto da ausência de camarões, pedimos o prato principal, que mais uma vez, foi unânime na mesa: mignon grelhado com molho de mostarda a l’ancienne e cogumelos servido com purê de batata salsa. E esse foi pura alegria. Mignon macio, claro, um molho saboroso, temperado e um suave purê de batata. E a quantidade era generosa, e isso vindo de uma italiana que, como esse blog diz, come demais! A outra opção me deixou bem curiosa, sorrentini de maçã servido com molho leve de queijo e presunto de Parma. Acredito que a combinação dos sabores doce e salgado deve ser bem surpreendente.

A perdição

A perdição

Mais felizes após o prato principal, era hora de saborear a sobremesa que, confesso, era o prato mais esperado pela minha pessoa, uma viciada assumida em brownie com sorvete. Pode falar o que quiser, que é basicão e tudo mais, mas para mim é uma das melhores sobremesas da vida! E essa não desapontou mesmo. Nossa, só de lembrar daquele sabor chocolate-amargo-te-quero-para-sempre do brownie eu fico com água na boca. Aos pobres mortais que pediram a outra opção, banana assada em forno a lenha servida com sorvete artesanal de canela e caramelo, só lamento.

Aos perdedores as bananas

Aos perdedores as bananas

Devo acrescentar aqui que depois que os pedidos foram tirados, lembrando que a mesa era grande mesmo e eu entendo a dificuldade de servir muita gente junta, as saladas até que vieram rápido, salvo um ou outro prato faltante. Agora, o prato principal demorou demais. Mais de meia hora, o que é inadmissível para um restaurante do porte do Forneria. Eu sei que temos que selar todos os mignons, um por um, e colocar o molho e montar o prato, mas o cliente não gosta de esperar. Depois o timing foi reestabelecido com a sobremesa. No final, minha nota para o cardápio é 7, isso porquê o brownie estava realmente muito bom, se não eu daria menos. E o atendimento deixou a desejar, assim como a estrutura do local que não está preparada para receber vovós e vovôs.

 Forneria Copacabana
Rua Itupava, 1155, Alto da XV