Quinta do Sommelier no Rause Café e Vinho

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Eu já contei aqui para vocês que adoro o Rause Café e Vinho. Comida boa, lugar gostoso e pessoas legais. Aí descobri na semana passada (sim, meio atrasada) sobre a tal quinta do Sommelier. A ideia é apresentar um vinho por mês, todas as quintas, com aperitivos harmonizados. A taça de 100 ml + o aperitivo sugerido sai por R$10,00. Na quinta passada, o vinho do mês era o espanhol Menguante Garnacha 2008. A dica de harmonização foi Mini Parmegiana, com tiras de mignon empanadas e cobertas por ragu de tomate e queijo. Eu também provei as mini bruschettas, e as tiras de mignon com gorgonzola.

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O vinho é feito com a uva mais emblemática da Espanha, a Garnacha, que tem um toque frutado de Novo Mundo, muito aromática e fácil de beber. O crítico (e enochato) Robert Parker deu 90 pontos, o que em termos de Robert Parker, é muito. Mas o que importa é você conhecer e provar. O rótulo é importado pela Grand Cru e custa em média R$40.

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Além da sugestão da casa, eu provei o branco argentino 505 Chardonnay, da Casarena, ideal para quem gosta da suavidade e da leveza do Chardonnay. Frescor e acidez moderados. Com ele, provei os mesmos aperitivos citados acima e confesso que tudo casou bem. O valor dele no Rause é algo em torno de R$60.

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Como o mês mudou, mudou também o vinho da quinta do Sommelier no Rause. Hoje começa a degustação de um chileno: Lagar de Bezana Cabernet Sauvignon Reserva 2012, direto do Vale do Rapel, no Alto Cachapoal, região central do Chile. Para a harmonização, o Rause elaborou um prato bem encorpado, para combinar com a potência do cabernet, que tem ainda um pouco de syrah e carmenere: risoto de costela com vinho tinto, com toque de manjericão e alecrim. A Quinta do Sommelier acontece no Rause Café e Vinho todas as quintas feiras, a partir das 18h.

Rause Café + Vinho, Al. Carlos de Carvalho, 696, telefone: 3024.0696.

Jantar Harmonizado: cozinha contemporânea

Poucas coisas na vida são incrivelmente prazerosas como jantares harmonizados. E não estou falando de qualquer jantar. Tem que ter ingredientes selecionados, receitas elaboradas e vinhos bons (não significa vinho caro). Mas mais que isso: tudo tem que ornar! Eu (e meus coleguinhas do curso de Sommelier) tivemos dois grandes jantares nos últimos dias e faço questão de compartilhar com vocês. Sim, esses jantares são AULA. Tipo: melhor curso ever. Claro que ninguém aqui vai fazer esses pratos sofisticadíssimos em casa, mas é bom para conhecer e sempre aprender.

O segundo jantar (depois eu vou fazer outro post com o primeiro jantar) harmonizado foi de cozinha contemporânea, preparado pelo chef Rudy Keller, que dá aula para o curso de Chef no Centro Europeu. O menu proposto por ele foi ousado, moderno e muito gostoso. De entrada tivemos um magnífico Tartar de Salmão com mix de folhas e um toque de chantilly dijon. Depois, de prato principal, foi servido um Rosbife frio com molho de frutas vermelhas, acompanhado de lentilha, berinjela e cogumelos frescos. Para encerrar esse desbunde provamos o inacreditável Sorvete de Azeite com coulis de manga. Tudo muito bem feito, extremamente saboroso, delicado e novo. Mas nada disso seria tão incrível se não estivesse acompanhado dos vinhos certos! É aí que entra toda a experiência da nossa querida professora Sônia Petri. Vou detalhar abaixo os vinhos e como ficaram as harmonizações.

1) Tartar de Salmão – Brancott, Sauvignon Blanc, Nova Zelândia, 2013

O tartar é com salmão cru, marinado em vários temperos difíceis de harmonizar como limão, pimenta, alcaparra e azeite. O prato pede um branco por ser com peixe, e tem que ser um branco ácido, para contrabalancear a untuosidade. Esse Sauvignon Blanc da Nova Zelândia é muito fresco, jovem, realçou os sabores do prato e ficou ainda mais saboroso na boca. Outra opção que casaria aqui, por exemplo, é um Riesling, da Alemanha, ou quem sabe, mais barato, um Sauvignon Blanc do Valle de Casablanca, no Chile.


2) Rosbife cru com calda de frutas vermelhas, lentilha, berinjela e cogumelos. Yume, Montepulciano D’Abruzo, Itália.

A carne já pede vinho tinto por via de regra básica. Como há uma calda de frutas vermelhas + lentilha + berinjela (que é mais amarga) e cogumelos, o vinho tem que ter um bom corpo, para poder ficar no mesmo nível de sabor do prato. Eu confesso que achei esse Montepulciano com corpo até demais para o prato, apesar de ter ficado bom. É um vinho potente, alcoólico. Mas o prato também ficaria bom com um Tempranillo Crianza, da Rioja, na Espanha.

3) Coulis de manga com sorvete de azeite – Nederburg, Late Harvest, África do Sul.

Gente, parem as máquinas. Essa sobremesa de início fez todo mundo torcer o nariz, sorvete de azeite, ui, mas depois estávamos todos em puro êxtase, saboreando algo impressionantemente bom. E essa untuosidade do azeite com o Late Harvest adocicado, cor de mel, textura cremosa, é dos deuses. De comer de olhos fechados em estado contemplativo. Top 5 sobremesas da vida. Então aqui a regrinha básica é que com uma sobremesa de bastante complexidade e textura e sabores marcantes, na boca fecha com vinhos de sobremesa, que são super encorpados e adocicados. Desejo que todos vocês um dia provem esta harmonização. Vocês vão me entender!

 

E aqui os rótulos do branco e do tinto:

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Vinho do dia: Abraito, Regional Alentejano

Alentejo, Portugal

Alentejo, Portugal

Nada melhor quem um bom vinho para espantar o frio e encarar a segunda com ânimo. A minha dica de hoje é um vinho português regional do Alentejo, região que apresenta a qualidade média mais elevada se comparada às outras regiões vinícolas de Portugal. Talvez alguns torçam o nariz ao ler a designação “vinho regional”, acreditando ser um vinho de qualidade inferior. Mas esse pensamento é totalmente equivocado, visto que o Alentejo tem uma excelente produção de vinhos regionais. Alguns rótulos poderiam até ser classificados como DOC, Denominação de Origem Controlada, mas os produtores preferem não o fazê-lo para incluírem outras uvas além das permitidas na legislação.

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Mas chega de blábláblá. O Abraito Reserva 2011 é feito com as uvas Aragonez, Alicant Bouschet e Trincadeira, apresentando 14% de graduação alcoólica. No olfato, assim como a maioria dos vinhos alentejanos, mostra notas frutadas, de frutas vermelhas maduras, geleias, especiarias. A cor é é granada com reflexos violáceos, intenso. Na boca tem bom equilíbrio, suave, fresco, vivo, bom corpo e taninos redondos. Fácil de beber. Harmonizei com gorgonzola e geleia de pimenta. Mas vai muito bem também com carne de caça. Um vinho com excelente custo benefício. Comprei na Adega Franco, na Avenida Getúlio Vargas, por R$44.

Toro Loco: qualidade ou marketing?

Vinho bom é vinho caro? Vinho barato não tem qualidade? Muitos mitos rodeiam o mundo dos vinhos e tem gente que ainda acha que só vai beber algo bom se pagar mais de 100 reais. Em tese, vinhos mais caros são mais elaborados, são mais bem produzidos, ficam meses descansando e melhorando em barricas de carvalho ou em adegas subterrâneas cheias de cuidado. Tudo isso influencia no resultado final e no preço, claro. Mas isso não significa que vinho barato é ruim. É possível beber bem gastando pouco.

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Só que é preciso tomar cuidado com elaboradas estratégias de marketing, pontuações dadas por críticos renomados e guias que geralmente escondem interesse comercial e parcerias com importadoras. Um desses casos aconteceu com o vinho espanhol Toro Loco Tempranillo, que depois de uma excelente colocação em uma degustação às cegas, virou um fenômeno de vendas e entrou no ranking dos “melhores vinhos do mundo”. O rótulo conquistou medalha de prata na tradicional International Wine & Spirits Competition, desbancando concorrentes muito mais caros que ele.

Lá na Europa ele é encontrado por menos de 4 euros. Aqui no Brasil, o vinho virou uma febre depois que a Wine.com.br comprou toda a produção da Bodegas Coviñas, cerca de 300 mil garrafas, e ainda colocou uma “lista de espera” no site, deixando os compradores ainda mais empolgados. O Toro Loco Tempranillo 2012 é vendido hoje por apenas $21,25. Claro que todo mundo comprou, só que o vinho não condiz com todo esse alvoroço. Hoje no site há um WineBox com 6 garrafas por R$127,50, pra ver se desova esse tanto de Toro Loco estocado.

Mas vamos ao que interessa. O vinho é bom? Vale a compra? Vale. Pelo preço, ele é honestíssimo. Aroma frutado, com toque de madeira, couro, terra. Na boca ele é macio, leve e pouco persistente. Uma boa pedida para quem não gosta de vinhos encorpados, duros e tânicos. Como ele é leve, não deve ser harmonizado com pratos temperados e condimentados, se não vai sumir. Opte por uma tábua de queijos não muito gordurosos, uma salada de mozzarella de buffala com tomatinho cereja e manjericão. Eu comprei recentemente o Toro Loco Crianza 2010, que oferece um pouco mais de qualidade e o preço é tão bom quanto.

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O cantinho da Manu Buffara

Quem gosta de gastronomia e curte sair para comer em lugares legais já deve ter ouvido falar na Manu Buffara, um dos grandes nomes da culinária curitibana. Adepta dos experimentos de Ferran Adriá, aplicados no seu restaurante conceito Manu, que confesso ainda não fui mas quero muito, a chef também tem uma segunda casa, o MB Brasserie, que antes era o 4sí Brasserie, também dela. Inaugurado no começo de junho, o lugar é charmoso, com cardápio enxuto, receitas elaboradas e preço muito honesto.manu

Por ser pequeno, é aconselhável fazer reserva. O atendimento é muito bom, garçons super atenciosos que sugerem pratos em destaque. Há boas opções de entrada para dividir, mas pulei essa parte e fui direto para o que interessa. Ogrinha que sou, não resisti e pedi um risotto de costela bovina com ervilha fresca e grana padano. Sim, imagino a cara de choque de vocês com essa combinação inusitada de risotto com costela, também fiquei boladíssima na hora, mas olha, valeu muito a pena. É extremamente saboroso, bem temperado, comida bem feita. Quando o prato chega na mesa parece pouco, mas não é. Homens vão adorar! É pesado na medida, gorduroso na medida, e delicioso sem limites.

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Minhas amigas foram mais delicadas e pediram um fagotini de ricota com molho de tomate rústico e “alguma coisa com camarão, não lembro do acompanhamento, só lembro que os camarões eram enormes e deliciosos”. Como não há muitas opções no cardápio, se você for lá e ver alguma coisa com camarões graúdos, peça. Há ainda outros destaques como o Steak Tartare com ovo de codorna, coxa de pato confitada com mandioquinha e hortelã e o creme de abóbora com ravióli de camarão. Dá pra notar que a Manu faz uma mescla de ingredientes regionais com técnicas mais modernas.

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Mas calma, na minha opinião o melhor ainda está por vir. Se a refeição foi aprovada até aqui, respire fundo, tome um gole de água e peça o doce de leite com queijo curado e bolacha. Sério. Sabe quando perguntam qual a última coisa que você gostaria de comer na vida? Então, acho que eu pediria isso. É comer e ir para o céu, encerrando a visita ao MB Brasserie com chave de ouro e gostinho de quero mais. Outros pontos positivos da casa são a carta de cervejas feita pela Carolina Oda e a carta de drinks by Márcio Silva. Claro que há uma carta de vinhos no local, mas eles também permitem que você leve seu vinho de casa. A taxa de rolha é $30. Entre os pratos, a faixa de preços é entre $40 e $50.

O MB Brasserie funciona de terça à sexta das 11h30 às 15h, e das 18h30 à 00h. Sábados e domingos das 12h à 00h.

MB Brasserie – Alameda Dom Pedro II, 333 – 3022.7333 – mbbrasserie.com.br

 

Vinho do dia

Como eu disse no post anterior, o blog está de cara nova, todo metido e cheio de informação para dividir. Todo dia (prometo que vou me esforçar ao máximo para cumprir esta promessa) vou sugerir um vinho, porque todo dia é dia de tomar vinho!

O vinho de hoje foi amor a primeira vista. Foi um dos primeiros vinhos que degustei no curso de Sommelier e já ganhou meu coração. Angove Long Row Shiraz 2010, da Austrália. Um vinho muito aromático e fácil de beber. A Shiraz é uma uva que origina vinhos redondos, macios e com acidez e taninos moderados. Acompanha bem pizza ou uma carne vermelha com molho condimentado.

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Preço aproximado: $70. / Onde comprar: Mercado Municipal