Jantar Harmonizado: cozinha contemporânea

Poucas coisas na vida são incrivelmente prazerosas como jantares harmonizados. E não estou falando de qualquer jantar. Tem que ter ingredientes selecionados, receitas elaboradas e vinhos bons (não significa vinho caro). Mas mais que isso: tudo tem que ornar! Eu (e meus coleguinhas do curso de Sommelier) tivemos dois grandes jantares nos últimos dias e faço questão de compartilhar com vocês. Sim, esses jantares são AULA. Tipo: melhor curso ever. Claro que ninguém aqui vai fazer esses pratos sofisticadíssimos em casa, mas é bom para conhecer e sempre aprender.

O segundo jantar (depois eu vou fazer outro post com o primeiro jantar) harmonizado foi de cozinha contemporânea, preparado pelo chef Rudy Keller, que dá aula para o curso de Chef no Centro Europeu. O menu proposto por ele foi ousado, moderno e muito gostoso. De entrada tivemos um magnífico Tartar de Salmão com mix de folhas e um toque de chantilly dijon. Depois, de prato principal, foi servido um Rosbife frio com molho de frutas vermelhas, acompanhado de lentilha, berinjela e cogumelos frescos. Para encerrar esse desbunde provamos o inacreditável Sorvete de Azeite com coulis de manga. Tudo muito bem feito, extremamente saboroso, delicado e novo. Mas nada disso seria tão incrível se não estivesse acompanhado dos vinhos certos! É aí que entra toda a experiência da nossa querida professora Sônia Petri. Vou detalhar abaixo os vinhos e como ficaram as harmonizações.

1) Tartar de Salmão – Brancott, Sauvignon Blanc, Nova Zelândia, 2013

O tartar é com salmão cru, marinado em vários temperos difíceis de harmonizar como limão, pimenta, alcaparra e azeite. O prato pede um branco por ser com peixe, e tem que ser um branco ácido, para contrabalancear a untuosidade. Esse Sauvignon Blanc da Nova Zelândia é muito fresco, jovem, realçou os sabores do prato e ficou ainda mais saboroso na boca. Outra opção que casaria aqui, por exemplo, é um Riesling, da Alemanha, ou quem sabe, mais barato, um Sauvignon Blanc do Valle de Casablanca, no Chile.


2) Rosbife cru com calda de frutas vermelhas, lentilha, berinjela e cogumelos. Yume, Montepulciano D’Abruzo, Itália.

A carne já pede vinho tinto por via de regra básica. Como há uma calda de frutas vermelhas + lentilha + berinjela (que é mais amarga) e cogumelos, o vinho tem que ter um bom corpo, para poder ficar no mesmo nível de sabor do prato. Eu confesso que achei esse Montepulciano com corpo até demais para o prato, apesar de ter ficado bom. É um vinho potente, alcoólico. Mas o prato também ficaria bom com um Tempranillo Crianza, da Rioja, na Espanha.

3) Coulis de manga com sorvete de azeite – Nederburg, Late Harvest, África do Sul.

Gente, parem as máquinas. Essa sobremesa de início fez todo mundo torcer o nariz, sorvete de azeite, ui, mas depois estávamos todos em puro êxtase, saboreando algo impressionantemente bom. E essa untuosidade do azeite com o Late Harvest adocicado, cor de mel, textura cremosa, é dos deuses. De comer de olhos fechados em estado contemplativo. Top 5 sobremesas da vida. Então aqui a regrinha básica é que com uma sobremesa de bastante complexidade e textura e sabores marcantes, na boca fecha com vinhos de sobremesa, que são super encorpados e adocicados. Desejo que todos vocês um dia provem esta harmonização. Vocês vão me entender!

 

E aqui os rótulos do branco e do tinto:

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