Everbody loves Pizza!!

Todo mundo ama pizza, não é verdade? Eu até conheço umas pessoas que preferem escolher outro prato, mas sempre acabam se rendendo. E nada melhor que uma boa pizza para fechar o domingo com chave de ouro, ainda mais nesse frio polar que chegou de vez em Curitiba. A cidade não é assim uma São Paulo, mas tem muitas opções de pizzarias, das mais simples as mais sofisticadas, das baratinhas até as carinhas. Hoje vou falar de uma sofisticada e carinha, mas que é inesquecível. A pizza da Mercearia Bresser.

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Se você quer um lugar legal, bonito, com bom atendimento e uma das melhores pizzas da cidade para comemorar alguma data, a Bresser é o lugar. Bresser é o nome da uma rua famosa do Brás, bairro tradicional onde surgiram as primeiras pizzarias de São Paulo. Lá se criou o dono da Bresser, que hoje conta com duas unidades em Curitiba, uma no Batel e outra no Cabral. O ambiente te transporta para aquelas cantinas dos anos 30, com paredes de azulejo banco, e decoração bem típica. Se der sorte, o melhor lugar da casa é a varanda.

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Mas antes de se jogar nas pizzas, prove uma das opções de entrada. Tem as berinjelas da casa, que vem com berinjelas e abobrinhas fatiadas, marinadas ao molho, azeite de oliva e hortelã com molho de tomate, peito de peru e mozarela tradição, gratinada com queijo gorgonzola ($30). Uma entradinha bem básica né, só pra abrir o apetite? Tem também o famoso pão de calabresa, uma das especialidades da casa, bem macio e saboroso. Aí peça aquele chopp bem gelado, ou um vinho, e vá para a difícil missão de escolher uma pizza.

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Para mim há uma campeã, que nem deveria entrar na competição, porque é simplesmente fora de sério. Eu já fui conquistada antes mesmo de comer, por causa do nome: Vila Judite, que é o nome da minha vóvis! A dita cuja é tão simples e sem frescura que, provavelmente, por isso é uma das melhores. Presunto defumado alemão, catupiry e cobertura de mozarela tradição ($58,50 a média). Duvido que não deu água na boca por aí.

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Quem quiser ir pela mais tradicional, se bem que a Vila Judite é uma das mais pedidas, opte pela Pizza Bresser, com tomate, muzarela de búfala e pesto de azeitona. E se ainda houver espaço, vontade ou gula mesmo, as sobremesas são bem interessantes. O Vino Cotto é uma calda de vinho cozido servido sobre duas bolas de sorvete. Ou o Manjar Branco, um clássico da cozinha brasileira, com calda de ameixas pretas e um toque especial da casa ($13). A Bresser abre diariamente a partir das 18h30.

Mercearia Bresser – Av. Sete de Setembro, 5831, Batel – 3029.0880 / Av. Munhoz da Rocha, 530, Cabral – 3053.0880
http://www.merceariabresser.com.br
 

 

 

Festival de Carne de Onça

Curitiba realmente tem uma vocação botequeira muito forte. Depois do festival do hambúrguer e do festival do pão com bolinho, chegou a vez do festival da carne de onça. Quem frequenta os bares da cidade já deve ter percebido que o prato é presença quase obrigatória em um local que se preze. Afinal de contas, broa, carne crua bem temperada e mostarda escura harmonizam muito bem com uma cerveja bem gelada.

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O festival é uma realização do site Curitiba Honesta, que sempre dá dicas ótimas sobre onde comer na cidade. Foi ideia deles o festival do pão com bolinho. O evento está marcado para acontecer em setembro, entre os dias 9 e 23, e por enquanto estão confirmados os bares Barbaran, Canabenta, Quermesse, Picanha Brava , Petiscaria Germania, Estofaria, Silzeu’s e Cartolas Snooker Bar. Destes eu já provei a carne de onça do Barbaran, que é uma delícia, e do Canabenta, também muito boa. Mas até hoje nenhuma bateu a carne de onça da Mercearia Fantinato, e juro que não é jabá por causa do meu sobrenome (inclusive nem somos parentes próximos, infelizmente!).

A carne de onça da Mercearia Fantinato é tradição e ganhou três vezes o prêmio “Comer & Beber” da Veja Curitiba. O cliente já fica impressionado quando o garçom ao invés de trazer a carne de onça pronta, faz a montagem da dita cuja na sua frente, como um ritual. A carne, patinho ou coxão mole, é aberta e temperada na sua frente com alho, cebola, azeite, pimenta-calabresa, sal, páprica doce, conhaque e cebolinha. Depois que uma mesa pede, pronto, todo mundo vai atrás. E realmente é de dar água na boca. O prato tem dois tamanhos, com 150 ou 300 gramas, respectivamente R$ 17,40 e R$ 29,10.

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Espero que eles entrem no festival. Mesmo se não entrarem, vá lá e prove. Além da carne de onça, eles também tem um famoso tomate recheado no cardápio que é algo surreal de gostoso. Enfim, boteco excelente, de tradição, com cerveja gelada, atendimento eficiente e quitutes incríveis.

Mercearia Fantinato – Rua Mateus Leme 2553, Bom Retiro – 3023.1953. 

Vinho do dia: Abraito, Regional Alentejano

Alentejo, Portugal

Alentejo, Portugal

Nada melhor quem um bom vinho para espantar o frio e encarar a segunda com ânimo. A minha dica de hoje é um vinho português regional do Alentejo, região que apresenta a qualidade média mais elevada se comparada às outras regiões vinícolas de Portugal. Talvez alguns torçam o nariz ao ler a designação “vinho regional”, acreditando ser um vinho de qualidade inferior. Mas esse pensamento é totalmente equivocado, visto que o Alentejo tem uma excelente produção de vinhos regionais. Alguns rótulos poderiam até ser classificados como DOC, Denominação de Origem Controlada, mas os produtores preferem não o fazê-lo para incluírem outras uvas além das permitidas na legislação.

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Mas chega de blábláblá. O Abraito Reserva 2011 é feito com as uvas Aragonez, Alicant Bouschet e Trincadeira, apresentando 14% de graduação alcoólica. No olfato, assim como a maioria dos vinhos alentejanos, mostra notas frutadas, de frutas vermelhas maduras, geleias, especiarias. A cor é é granada com reflexos violáceos, intenso. Na boca tem bom equilíbrio, suave, fresco, vivo, bom corpo e taninos redondos. Fácil de beber. Harmonizei com gorgonzola e geleia de pimenta. Mas vai muito bem também com carne de caça. Um vinho com excelente custo benefício. Comprei na Adega Franco, na Avenida Getúlio Vargas, por R$44.

Sexta é dia de: Pão com Bolinho!

Depois do fenômeno dos hambúrgueres, Curitiba também oferece uma forte tradição desta iguaria botequeira amada por todos: o famoso pão com bolinho. Até tivemos em maio deste ano o 1.º Festival de Pão com Bolinho, que contou com a participação de 12 casas, entre elas botecos consagrados como o Bar do Pudim, o Canabenta, a Casa Velha e o Barbaran, que na minha humilde opinião tem um dos melhores pão com bolinho da cidade.

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O pão com bolinho do Barbaran é rei e só de lembrar me faz salivar! Além de oferecer várias opções, das mais simples às mais elaboradas, a iguaria é grande, saborosa e muito bem feita. O mais básico de todos vem com pão, bolinho e maionese. Simples, direto, eficiente e delicioso. O Pão com Bolinho II vem com pão, bolinho de carne, pepino azedo e hrin (raiz forte). O Pão com Bolinho III vem com os mesmos itens do II + queijo e apresuntado.

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Para participar do festival, o pessoal do Barbaran criou o Pão com Bolinho especial com pão, bolinho de carne, queijo, pepino azedo e maionese. E claro que quem preferir pode abdicar do pão e comer só o bolinho, também altamente recomendado! Isso sem falar nas outras delícias típicas que o bar oferece como o Varenek, que são pasteis cozidos recheados com batata com repolho, e batata com requeijão.

Pão com Bolinho Especial

Pão com Bolinho Especial

O legal do Barbaran é o clima descontraído, unindo jovens e veteranos da noite curitibana. A cerveja está sempre bem gelada, o atendimento pode ser meio demorado mas vale a pena, e tem até alguns vinhos no cardápio. Não dá para perder!  Os bolinhos custam entre R$3 e R$6. A casa abre de terça à sexta das 16h à 1h, sábados das 11h às 20h e domingos das 16h às 21h.

Barbaran – Rua Augusto Stelfeld, 795 – 3322.2912

 

 

Cordeiro & Costela amor verdadeiro

Vocês devem estar pensando ‘ih lá vem ela de novo falando da tal Hamburgueria Rústica’. Sim, aqui estou eu de novo falando da tal da Hamburgueria Rústica! Lembram que eu disse em algum post anterior que o cardápio tem novidades? Então, eu tenho que contar sobre as novas estrelas da casa. Senhor, só de começar a pensar como descrever, estou com água na boca. Juro. A verdade é que desde que eu fiz aquele post sobre a Hamburgueria, no ano passado, muita coisa mudou. A casa cresceu, foi ampliada, várias reformas desde o salão até a cozinha e não para por aí. Logo, logo, vem mais novidade.

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Mas por hora, a única coisa que você precisa saber é que eles estão produzindo apenas o melhor hambúrguer de costela desta cidade, quiçá deste país. Eu disse COSTELA. O sanduba foi criado especialmente para o CWBurguer Fest, realizado em maio deste ano. Mas o sucesso foi tão absurdo que ele virou fixo no cardápio, amém irmãos! Eu começo a descrever essa belezinha da seguinte forma. Quem curte costela AMA costela, então não precisa de muito blá blá blá pra ir lá provar. Mas eu faço questão de ressaltar que ele é muito mais do que suculento, muito mais que saboroso, muito mais que costela, ele é simplesmente perfeito, com aquele gostinho de churras, feito na grelha mesmo. E ainda vem acompanhado com canudinhos de maionese, sabe coisa de vó? Tem como não amar e querer todo dia?

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A outra belezura do cardápio é o hambúrguer de cordeiro. Eu faço até um minuto de silêncio aqui, agradecendo papai do céu pela existência dos cordeiros, que nos oferecem uma carne tão tão tão tão especial, e que nas mãos do abençoado chef Christian Bojarski vira um pedacinho do paraíso, um afago, um aconchego. Não dá vontade de comer o sanduíche, dá vontade de abraçar, apertar, levar pra casa e chamar de #mozão. O molho que acompanha é iogurte com limão, hortelã e especiarias. Não existe nada mais delicado e sublime que este sanduíche.

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Pronto, estão aí dois excelentes motivos para você ir lá duas vezes, porque infelizmente não dá para comer os dois num dia só. Cada um custa cerca de R$25. E para finalizar com chave de ouro, aquele brigadeiro de colher que passa a mão na sua cabeça e fala ‘tá tudo bem, vai ficar tudo bem, amanhã você vai pra academia’. As opções de cerveja da Way harmonizam super bem com os sandubas da casa, que oferece ainda outras grandes opções como o Rústico, o Mostarda & Mel e o Chicken, que eu ainda não provei mas preciso provar por motivos de peito de frango empanado com Corn Flakes. Sem mais por hoje.

Hamburgueria Rústica – Rua Fredolin Wolf, 325, loja 3

 

Alta gastronomia no Vindouro

Não existe nada mais sublime e encantador do que harmonizar perfeitamente a comida com o vinho certo. Quem já teve essa experiência sabe do que eu estou falando. Na noite de ontem, Silvana Fetter, nossa amiga do curso de Sommelier e proprietária do restaurante Vindouro, nos proporcionou uma noite incrível, daquelas para entrar na lista dos top 5 dinners da vida.  Antes de nos encantar com as delícias preparadas pela chef Adriana de Nadai, tivemos aula de França, com a também incrível professora e sommelier Sônia Maria Petri, já que os vinhos da noite foram todos franceses.

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Desde os pãezinhos da entrada, deliciosamente feitos pelo nosso colega de classe Rudio, até a sobremesa, tudo foi perfeito. Já de cara fomos agraciados com uma iguaria única e de sabor inigualável: Terrine de foie gras sobre pão de mel e nozes. Não torça o nariz para o foie gras. Por ser uma terrine, ele é menos impactante que o foie gras de verdade. (Eu sei que a técnica do foie gras é de cortar o coração, também sou contra, mas acho que todas as pessoas devem provar pelo menos uma vez na vida porque é algo inexplicável, de sabor único. Afinal de contas, você também come frango e nem sofre tanto.) Para harmonizar com o foie gras, a estrela da noite: Sauternes. Eu posso afirmar que é uma das melhores combinações da vida. A harmonização é tão encantadora que a mesa inteira ficou em silêncio pleno, quase em estado de meditação.

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Passado o momento de êxtase, fomos para a entrada: Seleção de mini folhas com vol-au-vent de aspargos e brie gratinado. Como descrever esse prato? Delicado, saboroso, extremamente bem feito. Aspargos é true love, com brie então, true love forever. A harmonização teve duas opções: Domaine Paul Blanck Riesling, 2012, da Aslace, e Domaine Sorin, Terra Amata Rosé, 2012, de Cotes de Provence. Eu confesso que gostei com os dois, mas o Riesling fica melhor. A Riesling é uma uva que se dá muito bem com o aspargo, então, é garantia de sucesso. Mas o rosé, que ainda é muito ignorado por todos nós, tem seu valor e merece um voto de confiança.

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O prato principal foi outro grande momento: Mignon ao molho de mostarda Dijon com risoto mantecato, harmonizado com Domaine Paul Mas – Mas de Mas Corbières, 2010.  Risoto saboroso e como o nome mesmo sugere, amanteigado, cremoso, no ponto. E a carne também, suculenta, vermelha por dentro, crocante por fora, coberta de mostarda, fechando o prato em completa harmonia. O vinho também, sem palavras, combinou muito.

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Mas calma, há ainda a sobremesa, uma inusitada e sensacional Sopa de Chocolate com sorvete praliné de amêndoas. Já imaginou isso? Com certeza não. Vá e prove, é divino. Harmonizado ainda com o fortificado Domaine Paul Mas, Mas de Mas Maury, 2008. Tão forte quanto um vinho do porto, porém, longe de ser um.

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É ou não é um jantar dos deuses? O menu foi criado especialmente para essa nossa aula-jantar-degustação, mas quase todos os pratos estão no cardápio do Vindouro, talvez um pouco diferente, mas estão. Falando até no cardápio do local, é de tirar o chapéu. Mesmo depois de ter comido tudo que descrevi acima, fui dar uma olhada no que a casa oferece e fiquei com água na boca, principalmente com as opções de frutos do mar. Um dos carro-chefe da casa é a ostra, in natura e gratinada. Merece sua atenção o Crevettes avec fromage suisse, que são camarões do litoral nordestino, com fonduta de queijo suíço e palmito pupunha de
Guaraqueçaba. Deu ou não deu água na boca? Entre as carnes, destaque para a Paleta de cordeiro do Uruguai, molho do próprio assado e risoto milanês. Isso sem entrar no mérito das sobremesas, de creme brûlée e a trilogia de chocolates.

Os vinhos da noite

Os vinhos da noite

Recomendo, indico, imploro e assino embaixo: vale a pena investir em um jantar inesquecível no Vindouro que, além de pratos deliciosos e uma carta de vinhos completíssima, opta pelo uso de ingredientes regionais e orgânicos. Outro item que vale a pena destacar é que tudo é feito na casa, desde os pães da entrada até o sorvete da sobremesa. Sem falar que a casa é linda e sofisticada, com uma área externa ótima para dias quentes e uma sala para eventos com teto retrátil. O preço dos pratos varia entre $35 a $80, mas a satisfação é garantida.

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Vindouro – Rua Guarda-mor Lustosa, 129 – Juvevê – 3027.0700
vindouro.com.br 

 

Toro Loco: qualidade ou marketing?

Vinho bom é vinho caro? Vinho barato não tem qualidade? Muitos mitos rodeiam o mundo dos vinhos e tem gente que ainda acha que só vai beber algo bom se pagar mais de 100 reais. Em tese, vinhos mais caros são mais elaborados, são mais bem produzidos, ficam meses descansando e melhorando em barricas de carvalho ou em adegas subterrâneas cheias de cuidado. Tudo isso influencia no resultado final e no preço, claro. Mas isso não significa que vinho barato é ruim. É possível beber bem gastando pouco.

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Só que é preciso tomar cuidado com elaboradas estratégias de marketing, pontuações dadas por críticos renomados e guias que geralmente escondem interesse comercial e parcerias com importadoras. Um desses casos aconteceu com o vinho espanhol Toro Loco Tempranillo, que depois de uma excelente colocação em uma degustação às cegas, virou um fenômeno de vendas e entrou no ranking dos “melhores vinhos do mundo”. O rótulo conquistou medalha de prata na tradicional International Wine & Spirits Competition, desbancando concorrentes muito mais caros que ele.

Lá na Europa ele é encontrado por menos de 4 euros. Aqui no Brasil, o vinho virou uma febre depois que a Wine.com.br comprou toda a produção da Bodegas Coviñas, cerca de 300 mil garrafas, e ainda colocou uma “lista de espera” no site, deixando os compradores ainda mais empolgados. O Toro Loco Tempranillo 2012 é vendido hoje por apenas $21,25. Claro que todo mundo comprou, só que o vinho não condiz com todo esse alvoroço. Hoje no site há um WineBox com 6 garrafas por R$127,50, pra ver se desova esse tanto de Toro Loco estocado.

Mas vamos ao que interessa. O vinho é bom? Vale a compra? Vale. Pelo preço, ele é honestíssimo. Aroma frutado, com toque de madeira, couro, terra. Na boca ele é macio, leve e pouco persistente. Uma boa pedida para quem não gosta de vinhos encorpados, duros e tânicos. Como ele é leve, não deve ser harmonizado com pratos temperados e condimentados, se não vai sumir. Opte por uma tábua de queijos não muito gordurosos, uma salada de mozzarella de buffala com tomatinho cereja e manjericão. Eu comprei recentemente o Toro Loco Crianza 2010, que oferece um pouco mais de qualidade e o preço é tão bom quanto.

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