A gastronomia impecável do Sel et Sucre

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Não sei porque cargas d’água eu demorei tanto tempo para conhecer o restaurante Sel et Sucre, localizado na Pres. Taunay, quase esquina com a Vicente Machado. Já tinha lido ótimas resenhas, ouvido muitos elogios, mas de fato nunca havia provado as maravilhas daquele lugar encantador. Se você ainda não foi, corra, não perca mais um dia sem saber o que é a comida de lá.

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Pequenininho, aconchegante e sofisticado. Essa foi a minha primeira impressão. Sentei na mesa e analisei o cardápio natalino, com opções de ceias de natal (incríveis) que podem ser encomendadas, caso você seja uma pessoa com $ifras! Não me leve a mal, cada prato que eu li me deixou com água na boca, deve ser tudo divino, mas os preços são tão salgados quanto o bacalhau do ano novo.

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Mas enfim, o Natal ainda não chegou e era hora de escolher o almoço do dia. Entrada, prato principal e sobremesa pelo preço fixo de 59,90. Valor que, num primeiro momento, pode lhe parecer caro, mas não é, pela gastronomia oferecida, pelo excelente atendimento, pelo local e pelo momento inesquecível que você terá lá. O inesquecível pode ser consequência da terceira garrafa de vinho, mas isso a gente abafa!

E para escolher o menu foi um sacrifício. Eu simplesmente quero provar tudo. Vou ter que voltar lá uma vez por mês para conseguir saborear tudo que aquele cardápio me oferece.

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Depois de muito pensar começei com Polenta chapeada com ragout de tomatinhos assados, azeitonas pretas, alcaparras, lascas de parmeggiano reggiano e rúcula orgânica. A combinação de sabores é incrível e, apesar de parecer pequena, o tamanho é perfeito, pois ainda há o prato principal.

Boeuf à La bourguignone desfiado, batatinhas coradas e mini legumes ao molho de agrião

Para confirmar minha essência carnívora, saltei da parte de ‘massas artesanais’ e ‘do mar’ direto para ‘da terra’, e pedi um Boeuf à La bourguignone desfiado, batatinhas coradas e mini legumes ao molho de agrião. A consistência da carne desfiada no melhor estilo barreado, com um tempero de ervas incrível, somado ao amor das batatinhas e o forte agrião, não poderia ser melhor.

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Mas o jogo ainda não estava ganho, a sobremesa estava por vir, e esta foi a única parte em que não tive dúvida alguma. Pedi com convicção o Trio de brullés: chocolate, pistache e baunilha e acho que nunca tive uma escolha tão acertada na vida. Me perdoem o palavreado, mas putaquepariu, que trio bom esse gente! Eu fui absorvida pelos potinhos, naufraguei na baunilha, me encantei com o pistache e me apaixonei pelo chocolate. Sabe amor verdadeiro, amor eterno? Rolou. Bateu.

Ravioli de catupiry, camarões grelhados e velouté de shitake

Eu não tenho como descrever aqui todas as delícias do cardápio que fiquei tentada a pedir. Mas posso mostrar as fotos do que as minhas amigas escolheram, como o Ravioli de catupiry, camarões grelhados e velouté de shitake;

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ou a Caçarolinha de frutos do mar ao molho champagne com arroz cremoso de açafrão e alho poró. Deu pra ter uma ideia da minha indecisão né?

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De entrada elas foram de uma básica Salada de baby folhas orgânicas ao molho de mostarda dijon, crocante de boursin azeite epiceè; e um ousado Terrine de queijo chèvre cremoso, presunto de parma, chutney de manjericão e ciabatta tostada. Loucura!

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De sobremesa elas pediram: Macaron gigante de chocolate com creme anglaise de baunilha; e Tartare de frutas e tuile de amêndoas. Tudo estava simplesmente delicioso. É possível perceber a dedicação da chef Kika Mader, que deu o ar de sua graça no salão para atender alguns clientes. Cada prato foi criado com muito carinho, com muito conhecimento, combinando sabores e despertando sentimentos incríveis que só uma boa refeição podem proporcionar. Aprovei e recomendo.

Bistrô Set el Sucre
Alameda Presidente Taunay, 396 – Batel
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Marreco recheado: de Santa Catarina para o Brasil!

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Peço licença para a gastronomia curitibana e hoje vou postar aqui sobre as delícias saboreadas na linda e sempre agradável Blumenau (#AmoBlumenau). Se você é fã da rica (e gordinha) cozinha alemã, você PRECISA ir ao Abendbrothaus (que significa casa de jantar ou casa do pão da tarde), localizado na Vila Itoupava, cerca de 30 km do centro de em Blumenau. Só o caminho até o restaurante já é um belo passeio.

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A rua bucólica e sem nenhum movimento abriga a casa centenária em estilo enxaimel do restaurante, aberto desde 1986. O dono é o simpático Rene Jensen, que sempre está no pequeno salão, circulando entre as 10 mesas de toalhas quadriculadas branco e vermelho. No cardápio há apenas uma grande estrela, o tradicional marreco recheado. E olha, vou contar pra vocês que, eu como fã de marreco recheado, já experimentei vários por aí e nenhum chegou aos pés deste. Juro.

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Mas dizer que o Marreco é a única atração do cardápio é uma injustiça, pois ele é servido com nada menos que oito acompanhamentos, isso mesmo, oito guarnições: purê de batata (meu deus, muito cremoso), maionese de batata (daquelas bem caseiras, tipo de vó mesmo), repolho-roxo, chucrute, aipim com bacon e arroz (nem preciso falar nada né, certeza que você já está salivando), purê de maçã e uma inacreditável e macia língua bovina com molho de tomate, além do recheio do próprio marreco servido à parte.

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Também vale destacar o cuidado com a ave, criada solta e assada por duas horas e trinta minutos em forno a gás, acomodada em cima de uma folha de bananeira. A suculência e a pele crocante são resultados de um ritual que remonta ao caderno de receitas da família de Josefa, mulher de Jensen. De ascendência germânica, ela tempera a carne com sal e pimenta-do-reino e a preenche com os próprios miúdos (fígado, moela e coração) triturados com bacon, tomate e cebola.

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Assim, a refeição é a tradução do meu lema ‘adeus dignidade’ mesmo. Esqueça regime, esqueça dieta, esqueça regras do que comer com o que. Coma tudo, sem culpa e sem medo de ser feliz. E claro, acompanhado de uma cerveja bem gelada. Tenho certeza que será uma refeição inesquecível. Não é a toa que o restaurante é o único lugar de Santa Catarina com 1 estrela no Guia Quatro Rodas, pela excelência da comida servida.  O preço por pessoa é R$ 59, e a comida é sem fim. Eles vão repondo até você começar a chorar e entregar as pontas. Vale ressaltar também que Jensen se deu o direito de abrir apenas no almoço aos domingos, e é bom fazer reserva. Nos outros dias, ele aceita reservas para grupos de mais de 30 pessoas, sem alteração no cardápio, claro.

Abendbrothaus – Rua Henrique Conrad, 1194 – Vila Itoupava, Blumenau (SC)

Coxinha, essa maravilha brasileira

Coxinha, uma paixão nacional

Coxinha, uma paixão nacional

Eu não sei vocês, mas até hoje eu não conheci um gringo que veio para o Brasil, provou a coxinha e não se apaixonou imediatamente. Aliás, existe alguém (em sã consciência) neste mundão que não gosta de coxinha? Ela é aquele vilão da novela que todo mundo ama, aquela perua malvada do filme que todo mundo adora, ela é fritura pura, ela nada na gordura, ela frita, estala, borbulha, deixa os dedos brilhando e os lábios sorrindo.

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Mas coxinha é aquela coisa né, tem em cada esquina e todo mundo acha que sabe fazer. Mas não é bem assim não. Fazer coxinha é uma arte, que requer dedicação, atenção e macetes. Eu não vou passar nenhuma receita e nem ensinar como é que faz, pois, convenhamos, que fazer coxinha dá um trabalho do cão. E o gostoso é comer por três reais naquela padoca da esquina.

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E eu vim dizer pra vocês que, se você é um amante de coxinha como eu, você precisa ir na Casa da Coxinha. Que nome lindo, não? Uma casa só pra ela, onde ela reina, domina, no cadápio só dá ela. Tem de camarão, de carne seca, catupiry com milho, de frango, de frango com catupiry, de frango com cheddar, de frango com milho, de frango com catupiry com milho, frango com cheiro verde, frango com cheiro verde e catupiry, napolitana (presunto, queijo, milho e orégano) e queijo com orégano. Ufa! Já to com água na boca.

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A massa é perfeita, o recheio é sempre bem servido e todas são boas. Sem nada, com pimenta, com maionese, com katchup, do jeito que você quiser. Coma sem moderação. Eu gosto muito da napolitana, da clássica de frango com catupiry, e já provei uma deliciosa de queijo. Apenas queijo. Ela não aparece no cardápio, mas acho que ainda faz parte da casa. Peça e seja feliz.

Também já to sabendo que há uma outra coxinha na cidade que pode bater a da Casa da Coxinha, que é a da Confeitaria Dois Corações. Prometo que vou lá em breve e conto para vocês o que achei. E na sua opinião, qual a melhor coxinha da cidade?

Casa da Coxinha
Rua Doutor Faivre, 521 

Tea Party no verão curitibano

thekettleJá que o verão resolveu passar longe de Curitiba neste final de ano, o jeito vai ser incoporar a cultura europeia, mesmo sem neve, sem H&M, sem macarons de verdade. Mas há uma casa de chá em Curitiba que pode te transportar para esse clima num passe de mágica, apesar de eu nunca ter visitado o velho mundo.

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Estou falando da fofa, chique e gostosa The Kettle, na Prudente de Morais. O salão faz com que você se sinta entrando em um salão do Plaza Athénné, em Paris, do famoso chef Alain Ducasse. Poltronas confortáveis, área externa e lareira, que pelo visto será usada em pleno mês de dezembro no sul do Brasil.

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Claro que a grande atração da casa são os chás. Tem de todos os tipos, todos os sabores, verde, preto, branco, misturado, de frutas, em caneca e em bule. Eu provei um que parece até um buquê de flor. The Kettle Blend ($8) mix de chá verde, oolong e preto com flores de laranja, pedaço de morango, pétalas de rosas e flores de jasmim, girasol e pedaços de baunilha. Delicioso.

Mas fiquei tentada em provar o famoso Darjeeling ($10), considerado o champagne dos chás, plantado na Índia, aos pés do Himalaya, a 2.200 metros de altitude. O cardápio conta que ele tem sabor delicado e aroma delicioso. Outro que eu recomendo é o clássico Earl Grey ($9 – se eu não me engano), o mais popular do mundo. O óleo de bergamota é tirado da casca.

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Para acompanhar essas maravilhas, você pode ir para doce ou salgado. Era fim de tarde e eu estava sedenta por açúcar e matei meu desejo com muita propriedade. Pedi a torta de nome impronunciável: Muckkuchen, uma incrível, perfeita e macia combinação de chocolate, avelã e leve sabor de cravo e canela, servida com chantilly. Sério. Um pedaçinho do paraíso, sem sombra de dúvidas. Eu também não lembro do preço exato, mas era entre $10 e $12.

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Outra testada e aprovada foi o bolo indiano, que traz uma fofa massa de chocolate, com marzipan e gengibre glaçado. E não tenha medo se você achar gengibre muito forte, o gosto é muito suave e delicado. Mas se for a sua primeira vez na casa, vá na mais pedida, torta de aveia recheada com creme de damasco, doce de leite e cobertura de chocolate meio amargo. Vá sem medo de ser feliz. Mesmo preço da de cima, $10 ou $12.

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Entre os salgados, eu teria dificuldade em pedir, já que tudo parece muito apetitoso, além de saudável. A casa oferece wraps, como o de salmão defumado, chutney (amo essa palavra) de abacaxi e endivias frescas. Uau! Ou você pode pedir saladas, quiches, sopas, muffins salgados, empanados ou sanduíches. Mas há também opções mais encorpadas para um verdadeiro jantar como o Raviolinni Kashmir, uma massa aromatizada com chá Kashmir Khali-Kahwa, recheada com frango defumado, passada na manteiga e limão.

Deu água na boca né? Então corre lá, enquanto o verão não chega!

Alameda Prudente de Morais, 836