Coisa de russo

Se tem uma coisa que o povo gosta de comer é petisco. Caído nas graças do público, eles são ideais nos bares, botecos, cafés e até nos próprios restaurantes. Deixaram o status de comida suja, gordurosa, e sem glamour para alçar voos maiores, com inúmeras opções, tamanhos, sabores, recheios, estilos e preços. Não tem nada melhor que uma boa fritura para acompanhar uma cerveja gelada, certo?

Esses dias fui a um bar que eu adoro. O Soviet fica na Batel, bairro nobre da capital paranaense, conhecido por reunir as melhores opções gastronômicas e baladas da cidade. Com cara de bar-de-playboy ele pode se revelar uma excelente opção para você, que assim como eu, é fã dos petiscos.

Às quintas eles tem uma promoção imperdível: todo o cardápio pela metade do preço. E o cardápio deles, arrisco eu dizer, é um dos mais suculentos da cidade, com as melhores opções de pratos para refeições completas, ou, se você preferir, os melhores petiscos da região. Como também há double drink, dá para fazer boas harmonizações, comer bem e gastar pouco. (se você souber se controlar!)

Norvigem: deliciosas iscas de peixe crocante. Acompanha molho tártaro à moda russa. A descrição do cardápio não é apenas um auto-merchan da casa. A isca de peixe é simplesmente deliciosa. A melhor que eu já provei na vida. O peixe é de primeira qualidade, fresco, saboroso, macio, frito no ponto e o molho fecha o sabor inigualável. É pedida obrigatória quando eu visito a casa.

Canudos Soviet: 12 unidades disponíveis nos seguintes recheios – salmão com cogumelos, catupiry e alho, foundue de queijo e defumados. Servidos com nata russa ou nata picante. Esses canudos são uma verdadeira sacada de mestre. Lembram daqueles canudinhos que existiam nas festas recheados com maionese e que raramente se vê nos dias de hoje? É mais ou menos isso, só que o canudo é frito. O recheado com salmão é divino. O cogumelo do recheio em questã é o simplório champignon. Podia ser um Paris, um Shitaki, mas…. O recheado com catupiry é muito cremoso, desmancha na boca, o toque do alho chega a fazer o cliente suspirar. Perfeito. O outro sabor, de foundue de queijos, ainda não provei. Mas tenho certeza que deve ser tentador.

Batatas Moscovitas: batatas rústicas ou palito, servido com delicioso foundue de queijo e defumados e queijo mussarela. Aí entramos num dilema. Eu sou fã de carteirinha e continuo discípula fervorosa da batata do Slainte. Mas tenho que admitir que essa porção de batata do Soviet é diferente de qualquer porção de batata que você ja viu na vida. Esqueça a batatinha frita convencional, com cheiro verde e queijo ralado, em tirinhas finas. Essa batata deve vir de Itu. Certeza. Elas são gigantes, mutantes, enormes, cortadas em fatias largas, grossas e suculentas. Fritas de uma forma especial e com muito queijo em cima. Dá até para comer de garfo e faca, para vocês terem uma mínima ideia do que eu estou falando. Mas se quiserem mesmo saber, aconselho: vá lá e prove.

E se você gostou de todas essas opções, quer provar um pouco de tudo, pois tudo lhe deixou com água na boca, então peça o prato mais famoso do bar: Roleta Russa, um mix para degustação das entradas e serve de duas a quatro pessoas. É sensacional, porém, não está incluso no desconto das quintas. Mesmo assim, vale a pena.

Para beber, esqueça as cervejas. Apesar de ser double chop e ter aquelas torres de chop que esquentam em 5 minutos, não me envergonhe e prove as vodkas. Sim, porque é disso que estamos falando, neném. Vodka, da boa. De Absolutas para cima. Wyborowa, Belvedere, Grey Goose. As melhores do mercado estão lá. Puras ou em drinques, se joga.  Eu confesso que fui lá e fiquei no Cosmopolitan que ainda é meu drink favorito e é double. Magavilha. Só não esqueça, se beber não dirija, se for beber vodka, vá no Soviet.  Av Bispo Dom José, 2277.

ps: para você que está se perguntando se eu provei todos esses petiscos, sim, eu provei. eu e mais três gordos pedimos as três porções descritas. porque uma roleta russa não seria suficiente. =)

Entre massas e taças

Esse post vai ser engraçado. Há 24 horas atrás eu estava me embriagando, com produtos caros, no La Pasta Gialla, na Praça da Espanha, cazamigue. Digo isso porque não anotei o nome dos pratos, nem o preço, nem tirei fotos. Vai ser uma tarefa difícil, mas preciso compartilhar com vocês essa experiência no mínimo interessante.

Chegamos lá por volta das 13h de um sábado de sol e agito. Para refrescar e já começar chutando o pau da barraca, do tipo ‘ainda não tomamos Veuvet Clicquot, mas podemos tomar uma champã’, pedimos uma Cava Brut espanhola, delicius. Sentadas ali no deck externo, curtindo o calor de quase 30º, vendo senhoras e senhores e jovens passeando com seus cães de raça nobre.

Ainda ali no deck pedimos uma entradinha básica para dar uma enganada na fome e para continuar curtindo aquele momento ‘sou rhyca, almoço no La Pasta Gialla’. Do lado de fora não é servido o almoço, então se você quiser continuar lá fora, terá que se contentar com as opções de entrada, entre saladas, bruschettas e antepastos. Nós pedimos uma bruschetta de funghi. Muito boa!

Depois de uma bela entrada, fomos para a nossa mesa, devidamente recepcionadas pela hostess e acomodadas em uma mesa próxima a cozinha, o que significa que 1) víamos toda a confusão que há dentro de uma cozinha e 2) sentíamos o calor vindo de lá. Not nice. Bem, fomos a escolha dos pratos. Confesso que foi difícil. São muitas opções e todas muito tentadoras, da vontade de pedir tudo. Massas, peixes, frango, carnes, risotos, hummmmm. Pedimos uma dica ao maitre. Agora começa a confusão. Os pratos pedidos foram: gnhocchi pomodoro com queijo brie (esse foi fácil de lembrar),  tagliolini na manteiga com sálvia e medalhão de filet mignon com creme de gorgonzola e pistache (achei no google) e um risoto com frango grelhado ao molho de alguma coisa. Esse, realmente não me lembro dos complementos, mas minhas friend disse que estava good. Nada demais, nada de menos.

Enfim, pedimos a carta de vinhos, já que nossa Cava tinha se findado. Para acompanhar nossos pedidos elaborados escolhemos um tinto Alfredo Roca, delicioso, leve, aromas fortes e harmonizou muito bem com os três pratos. Bom, pelo menos no estado em que estávamos, ficou bom.

Mas, tá tudo muito bonito, muito legal nesse post e a história não foi bem assim. Fizemos nosso pedido e bebemos e conversamos e conversamos e bebemos e bebemos e conversamos e nossa, de repente os estômagos roncaram sinalizando que nosso pedido já havia sido feito há pelo menos 40 minutos, nossa garrafa já estava no fim e estávamos morrendo de fome. Ao perguntarmos ao maitre o que havia acontecido, ele percebeu que simplesmente havia esquecido de passar nosso pedido para a cozinha. Legal né? Aí, claro, prezando pelo rápido atendimento fizeram nossos pratos em menos de 10 minutos. Resultado, o gnochi veio salgado, pedimos para trocar e depois veio sem brie. Levemente embriagadas e revoltadas decidimos pedir mais um Alfredo. Porque não né?

Posso dizer que a massa com o mignon estava bem boa. Mas nada extraordinário. Assim como o risoto e o gnochi. O atendimento deixou a desejar e a conta assustou. Realmente assustou. Eu e minhas amigas gostamos de comer bem e gastamos até um pouco acima da média, entre 30 e 50 reais. Dessa vez foi praticamente o dobro, para cada uma. Calculem. Eu recomendo ir lá pois acho a comida bem boa, mesmo. Mas o atendimento ontem não foi o que espera-se de um restaurante do porte do La Pasta Gialla, de um chef com nome forte no país inteiro como tem o Sérgio Arno, que já tive o prazer de conhecer e posso afirmar que é uma pessoa incrível. Enfim, esse foi meu desabafo, sem muitas informações concretas mas com a certeza de que ontem foi no mínimo engraçado.

Vá lá: La Pasta Gialla – Rua Fernando Simas, 47 – Batel – Praça Espanha.