Bom, bonito e barato

Todo final de semana eu me pergunto: qual será minha próxima invenção na cozinha? O mês de janeiro é longo demais para o meu orçamento e tenho que usar e abusar da criatividade para comer bem gastando pouco. E se formos analisar, a maioria das pessoas quer isso, mais com menos. Essa é uma meta para 2011. Enfim, já estou desvirtuando do assunto que é comida.

Comecei a pesquisar então na internê um prato de dificuldade moderada, não gosto de coisas fáceis, e que eu pudesse fazer para a família do namorado no fim de semana. Olhe que complexa a minha missão. Preparar uma receita para a sogra é uma tarefa que demanda esforço, concentração e a busca pela perfeição. Ainda bem que já sou assim no dia a dia.

Que delícia

Decidimos que o menu do dia seria: Picanha na grelha ao molho carbonara, batata sauté e arroz branco. Deu água na boca né? Eu também fiquei. A começar pela carne, não há muito segredo, apenas um homem que faça essa função de colocar o carvão, acender o fogo, abanar, e cuidar para ficar no ponto. Na cozinha, a coisa era mais agitada e quente, muito quente.

pi cana

Comecei pelo molho Carbonara. Na internet há zilhões de receitas, uma de cada tipo, mais forte, mais grossa, mais light. Eu gosto de receitas completas, daquelas que vão um pouco de tudo. Anote lá: cebola, alho, bacon e manteiga. Frite tudo por um tempo, até dourar. Em uma tigela bata gema de ovo, queijo parmesão e creme de leite. Depois junte a frigideira e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Deixe os ingredientes se conhecerem um tempo no fogo e desligue.

molhi carbonari com bacon

Passo número dois: batata sauté. Cozinhe-as e descasque-as. Só esse processo leva cerca de 40 minutos. Portanto comece primeiro colocando as batatas no fogo. Quanto estiverem sem casca e levemente frias, corte-as em pedaços, como achar melhor. Na frigideira frite apenas com manteiga e tempere com salsinha. Vai fazer uma fumaceira daquelas, tem que colocar aos poucos, tem que cuidar de uma por uma. Demora mais uns 30 minutos. Demora, mas vale a pena. O sabor, a casquinha, o gostinho da manteiga… hummm. To salivando de novo.

tatabas crocantess

E para finalizar faça um arroz branco, bem soltinho e se ainda quiser, uma salada. Pronto. Escolha sua bebida, pegue seu prato e vá ser feliz. Uma refeição simples, barata e divina.

Carne de Panela da Meme

Minha amiga Hemely adora cozinhar. Juntas, já fizemos de massas a peixes. Tudo fica uma delícia. Lembra da polenta fracassada? Tá bom, não foi um fracasso total porque ela ficou nhami nhami. Uma dili. Mas não ficou mole, toda mole, como de fato esperávamos. Agora tenho que pedir desculpas, cara polenta, mas o brilho da noite foi a Carne de Panela, receita concedida pela minha amiga Hemely. Meme, para os íntimos.

A receita é fácil de fazer. Os ingredientes perfeitos, combinados e cozidos, não tem como dar errado. Anotem aí: uma carne de sua preferência. Eu usei coxão mole. Não tem problema ser uma carne mais dura pois ela ficará algum tempo na panela de pressão e ficará beeeeem macia. Acrescentem na lista berinjela, azeitona roxa, tomate, cebola, alho e sal a gosto. O toque é a folha de louro. Não esqueça da folha de louro por nada nessa vida. NADA!

Fora da panela

O passo a passo é simples. Primeiro coloque a carne na panela junto com o alho e as folhas de louro e deixe fritando. Não mexa. Ela vai grudar e levantar aquele cheirinho leve de queimado. Deixe até que ela fique com uma cor vistosa e suculenta. Depois acrescente os outros ingredientes picados e um copo de água. Feche e espere a mágica acontecer. (Enquanto você espera a mágica acontecer, não esqueça de mexer incessantemente a polenta, se esse for o seu acompanhamento. Não entendeu? Leia o post abaixo). Ah: o cheirinho que vai sair da panela pode causar suicídios no seu prédio; avise os vizinhos.

Polenta com carne de panela

Quando ficar pronta, abra a panela de pressão, com todos os cuidados necessários para tal, e voilá. É só servir como desejar. Pode ser a polenta, pode ser uma bela massa. Pode até ser um leve arroz. A carne é maravilhosa, fácil e foi para o meu top ten de receitas. Valeu Meme!

Polenta cremosa

Lembram quando, no ano passado, fui jantar no Villa Marcolini e provei a melhor polenta da minha vida ever. Encasquetei com a danada, mandei e-mail para a Alaíde, esposa do chef Marcolini, e ela gentilmente me forneceu uma receita parecida com aquela magnificência cremosa.

Nesse final de semana eu e meu namorado viramos chefs e literalmente colocamos a mão na massa. E uma coisa eu digo: preparem-se. Se vocês quiserem mesmo fazer essa receita, atenção: primeiro passem uma semana fazendo supino e tríceps na academia. Depois a gente conversa.

A danada da polenta é simples para caramba. Fubá (amarelo), água e sal. Essa cremosa, em especial, tem o toque da manteiga (always butter) e queijos (fontina e grana padano). Ah, e não esquecam do ventilador, será altamente necessário para a execução desse prato.

Explico primeiro o fubá amarelo. Eu errei e comprei fubá branco, pois em casa minha vó sempre faz polenta, dura e branca. Vó, amo sua polenta, mas cansei dela. Quero cremosidade. Então é o fubá amarelo que deixa a coisa mais gostosa. Se na receita fala 500 gramas, reduza. Primeiro porque só faça tudo isso se você for servir um exército indo para a guerra. Segundo porque ela não fica mole. Quer dizer, ficar até fica. Nós é que não obtivemos êxito em nossa experiência.

Não tão cremosa assim

Enfim, a dica é: coloque o fubá na água fervendo e mexa sem parar. E aqui quando digo sem parar é sem parar mesmo, por 40 minutos ininterruptos (entendido o porquê da academia né?). Mexa, mexa e mexa. Se quise a polenta dura, perfeito, pare por aí. Se quiser a polenta mole e cremosa, como nós, não adicione leite. Sim, fizemos isso e praticamente duplicamos a receita (serviríamos exércitos brasileiro e israelense). Adicione apenas água, dica da vovó. Vá colocando água até que ela fique na consistência desejada. Aí, por fim, coloque a manteiga e os queijos bem picadinhos.

Ufa, depois dessa maratona ela está pronta para servir. E sirva e coma rápido, antes que endureça de novo. Polenta é um bicho mais teimoso que cearense de cabeça chata (pleonasmo-o-o).

Prato feito

Para acompanhar a polenta cremosa — que não ficou cremosa — fizemos uma carne de panela, que ficará para o próximo post.

Au revoir!

Costela do Nick

Depois dos excessos de final de ano, todo e qualquer site apresenta uma dieta mágica para recuperar as energias, eliminar os excessos e voltar a balança ao normal. Eu comi muito nas festividades. Isso, porém, não é novidade. Como demais. Sempre. E feliz da vida. Não, não sou gorda, obrigada. E não vou passar dicas de chás e saladas para perder peso no verão. Como boa gourmand que sou (nota: gourmand significa “pessoa apaixonada por gastronomia”) comecei o ano com uma bela de uma costela.

Suculência

As matérias que existem na internet sobre a dita cuja começam sempre com uma nutricionista falando e explicando sobre os perigos dessa carne, o quão ela é gordurosa, que deve ser necessariamente acompanhada de saladas, etc. Yes, we know it. Mas que é boa, é boa, não é? Atire a primeira pedra quem não fica a salivar quando vê aqueles pedaços enormes de costela girando e escorrendo, escorrendo e girando.

Deus da carne

Pois bem, fui semana passada comer a Costela do Nick, que, para mim, é uma das melhores da cidade. Se bem que, pensando bem, esse foi o único local de “comer costela” em específico que já fui aqui na cidade. Prometo em breve ir e provar outros. Mas a Costela do Nick é uma delícia. A carne é suculenta, macia e saborosa, como deve ser toda boa costela. Os acompanhamentos são arroz, maionese, tomate, cebola, folhas verdes e farofa. Pronto. Não precisa de mais nada. Ou, se você quiser enfiar o pé na jaca com gosto, peça aquela loira gelada.

Tente resistir

Se você já está tentado a ir lá e provar essa iguaria, bote na lista dos “prós” o ambiente. O restaurante é uma casinha simples, mesinhas ao ar livre, com o canto dos passarinhos e um ventinho para refrescar. E o atendimento é ótimo. Garçons atentos e solícitos. Ainda, como se tudo isso já não bastasse, o preço é convidativo. Justo, digamos. O almoço sai por cerca de R$22 por cabeça.

Tá bom ou quer mais? Então, vai lá. Nick Costela, Rua Bruno Filgueira, 2397. (41) 3335-1575.

Feliz 2011

Oi Pessoal. Sentiram minha falta? Não né. Pois bem, sabem como é, final de ano, festas, férias, descanso, fiquei um tempinho afastada dos meios eletrônicos de comunicação. Mas já é hora de voltar ao batente e temos muita coisa pela frente nesse ano. Então, antes de começar a falar das comidinhas de 2011, vou voltar um pouquinho só, até o Natal, para não passar em branco e vocês não me encherem o saco porque não coloquei nada das delícias de final de ano.

Todo blog que se preze faz um especial de final de ano, “especial comidas de Natal”. Eu não. Vou falar de um e apenas um único prato que, por mim, deveria ser comum nas gôndolas de supermercado. Poderia existir o ano inteiro, aliás, e estar na minha mesa o tempo todo. O nosso querido amigo Panettone. Alguns gostam, outros odeiam. E já vi de todos os tipos: tem com fruta cristalizada, com chocolate, sorvete, frutas, enfim, com mil e duas coisas. Eu sou fã de todos. Adoro, mesmo.

Panetone Bauducco

Então, como resquício do meu Natal, aí está uma foto do Chocotone Bauduco (momento merchan). E não só desse em especial, mas todos os panetones e chocotones da Bauducco são sensacionais. O que é essa massa gente? Macia, molhada, suculenta, bem recheada… ele até brilha! Adógo.

Só para complementar para os mais ávidos por informação, tipo eu, o Panetone é um prato típico do norte da Itália. A história de sua origem é até engraçada. Um certo rapaz, apaixonado, queria impressionar o sogro padeiro, chamado Toni. Ele criou uma receita de pão doce, com frutas, levemente fermentado. Foi um sucesso. O item começou a ser vendido na padaria como ‘pão de Toni’. Bom, daí para frente, cada um tira a conclusão que quiser. Tá aí o momento cultura do dia.

E chega de falar do ano passado. Tenho muitos posts para 2011! Até breve.